domingo, 23 de outubro de 2011

Daqui Pra Frente

Por medo de me entregar
Eu me entreguei
Medo de não confiar
Eu depositei...
Toda minha fé
Desejo de quem quer bem
E só bem...

O medo que faz enxergar
Coisas que não tem
Liberta para clarear
E ver mais além
Que dedos não podem tocar
Que olhos não vêem
que não vêem...


Daqui pra frente
Vai ser diferente
Tudo vai ficar bem
Daqui pra frente
É só a gente
É tudo que se tem...
Para preencher
Manias de viver
Intensamente...
Coisas do coração
Sem perder o vão
Da razão...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Provisório (Final)

O amor rápido envaidece
tão sem demora perece
De tão raro a corriqueiro
permanente, passageiro

Bailando de par em par...

Se o amor enobrece

logo logo desmerece
Sem questão tempo, quanto
quando, por quem
portanto

Embriagando de bar em bar...

Navegante, forasteiro
provisório...
Feito dia e noite


Sempre se renova
tudo novo no mesmo lugar
Novos lábios
o mesmo licor
Outro amasso
com mesmo calor

Sempre se renova
tudo sempre se renova

Um novo brilho
no mesmo olhar
Outros dedos que vão te tocar
como eu te toquei

Sempre se renova
sempre

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Urso e a Estrela


Em meus sonhos posso sentir
O que ainda não toquei
Falta fazer real
Tudo aquilo que sonhei

Do momento em que avistei
Eu não pude mais perder
A coordenada que indica
Me decola pra você

E se não posso ter
Eu fico esperando
A noite acontecer
Eu fico olhando
Pro céu...

E do céu
As estrelas caem
Vou sair e subir a montanha mais alta
Até brilhar
A mais viva surgirá
Vou saltar bem mais alto e pegar
A estrela mais bonita

Se você é uma estrela
Fala pra lua
Fala pra ela 
permanecer com seu luar
E esta noite não terá fim
Pra sempre te ver 
bem bonita mais viva
Perfeita assim

Veja o céu
As estrelas caem...

domingo, 5 de junho de 2011

Saudade...

É um fim...
de repente aqui pousou
a saudade ruim de ter

Quando a ausência apenas breve
a saudade tão alegre
pois sabia que iria voltar outra vez
sentir de uma vez

Quando tudo era sereno
mal sabia o que era tristeza
mas veio a tempestade
entortou a flor mais bonita
Então todo o meu jardim assim
lago se fez...

Era assim tão simples
complicado de entender
inocente de sentir
O singelo e mais belo
elo dos mortais
Que só se sabe
quem um dia foi capaz
de emanar...

Quando o mundo era pequeno
não cabia tanta dor
Mas veio essa tal saudade
fez tormento à felicidade
e o céu cinza de tristeza fez
o que era paz...

É um fim
Não é o fim

domingo, 3 de abril de 2011

Qualquer Lugar

De tudo que você me ensinou
eu nunca entendi o amor
Estou tão perdido
tentando me encontrar

Eu já nem sei mais quem sou
foi de repente
eu não vi quem me chamou
Vozes gritando...
foi quando eu percebi você chorar

Só você consegue me entender
um olhar decifra meus sentimentos
Só em ti repouso a minha confiança
em teus olhos de criança
eu posso crer

Às vezes te perco por um segundo
você mais longe tudo fica tão escuro
É tão difícil te responder
é que às vezes não consigo me entender

Você pode até compreender
bem mais do que eu posso te dizer
Não quero te machucar
não quero te fazer sofrer

Então vou te abraçar
e deixar que você me carregue
e me leve...
pra qualquer lugar

Onde tu for
pra Lua ou Marte
Berlim, Salvador
Buenos Aires

Por todos os lares
por ruas e bares
Na mata selvagem
montanhas e árvores

Pra qualquer lugar
vou deixar você me levar
A tempestade vai se acalmar
e o sol vai brilhar
renascer em seu olhar

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Tempo e o Vento

Quanto tempo faz
não me lembro mais
Quanto tanto tempo faz
que você levou minha paz

Existe tempo pra decidir
Tempo pra fazer
Tempo pra resistir
Tempo pra ceder

Tempo pra reagir
Tempo pra se esconder
Tempo pra refletir
Tempo pra dizer

Tem sempre um tempo pra cair
Tempo pra vencer
Tempo pra sorrir
Tempo pra sofrer

Tempo pra dividir
Tempo pra escolher
Tempo pra sentir
Tempo pra esquecer

O tempo voa com o vento
e com o vento traz
uma saudade a mais
O vento perguntou pro tempo
Quanto tempo faz
não me lembro mais
O tempo respondeu pro tempo
tem o tempo que o vento traz
um desejo incapaz  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um Violão e um Coração Falido

Não vou mais ousar
me entregar a outro alguém
Pois sempre acaba assim
O coração falido
por arriscar todos seus bens

Apostando em mais uma paixão em vão
pobre coração não tem jeito...
Se perder em um olhar se entregar
é seu maior defeito

Mas existirá em nenhum lugar...
O sentimento mais bonito e perfeito

Por isso vou embora
mas não levo nada
mas aquela fada, sa-fada!
levou a minha casa, meu jardim
meu cão, meu guaxinim
e a coletânea da Legião Urbana...

Por isso vou embora
mas não levo nada
mas já não tenho nada
Só carrego um violão
e um triste coração
se é que existe sei não
ainda em meu peito
Pois toda sua força
tomou aquela moça
e o ar de sua des-graça
com suas asas...
não mais pousou por aqui

Mas existirá em nenhum lugar
O sentimento mais bonito e perfeito...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pecado

Era tormento e felicidade
desejo sem saudade
Era frio e bonito
tão completo quanto o vazio

Era faminto por vaidade
poluído como a bondade
Era tolo ou inocente
o sorrir em seus dentes

Era estranho e tão normal
sereno como um vendaval
Era torto e tão certo
flores de maio no deserto

Era um sonho tão real
um sabor artificial
Um demônio despencado do céu
tão amargo com gosto de mel

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Chaga

Eu tentei 
encontrar um lugar
Um caminho 
que me leve pra bem longe
das lembranças de um olhar...

De um sorriso
que um dia sorriu pra mim
que um dia me disse sim

Eu tentei enfrentar
essa força dentro do peito
Sem me machucar
sem saber se essa chaga
no coração fechar...
E ao dormir meus olhos
a imagem do seu rosto
em minha mente se apagar...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nosso Lugar

Tô cansado de mentir pra mim mesmo
Fingindo ser alguém que não sou
Fugindo da realidade
Fingindo não sentir dor

Desta vez não ousarei fraquejar
Ainda se minha alma mais forte gritar
Até alcançar teu nome
Meu bem tarde será
Teu corpo estará longe

Se passou
mesmo como um vento
e tudo voltar
cada coisa no devido jeito
Se a tempestade mudar nosso endereço
e devastar tudo que era eterno...
antes do começo

Ou devemos continuar
Se é mesmo em ti o meu lar
Se é mesmo aqui...
o nosso lugar



terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Nossa Dança

Vai...
Agora vai!

Mas deixe a luz acesa
feche a porta sem ruir
Minhas retinas não entenderão
quando na distância lentamente sumir...

Se o egoísmo levar
meu abrigo, meu chão
E um abismo me separar
da tua mão...
Sentir ainda queimar
o teu gelado coração
Que já não pulsa no mesmo tom
do passo perfeito da nossa canção

A nossa dança terminou...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Espaçonave

Meu bem já é tarde
e vem a tempestade
Deixei a roupa no varal
no fogão o mingau
preciso ir agora

Pegar o último cometa
que sai agora às onze e meia
Hoje estou a pé amor
pois minha nave arriou

Mas vou levar o meu lar
o meu jardim pra cuidar
da flor mais bonita
Na sacada da janela da sala de estar...


Se é segunda ou sexta
aqui neste planeta
os dias são iguais
Estranhos animais
curiosos ao me ver

Se é manhã ou tarde
na minha espaçonave
o tempo é um só...
não faz chuva ou sol

Mas vou levar o meu lar
o meu jardim pra cuidar
da flor mais bonita
Na sacada da janela da sala de estar

...eu posso te olhar
Sentir sem te tocar
sem fugir do meu lugar
até alcançar...
Onde as nuvens dormem
e se cobrem 

com o vento mais sereno...

sábado, 6 de novembro de 2010

Sorriso de Hortelã

Toda hora de levantar
agradeço mais um novo sol
Por em teu lado morar
dividir o mesmo lençol

Antes de você acordar
contemplo o teu lindo sono
Adoro te ver despertar
Envergonhada, com a mão no rosto
A tua cara amassada
toda descabelada
remela no olho
Mas ela ri disfarça
com graça...


Oh Deus
Do que mais preciso
se tenho o paraíso toda manhã
Sentir o hálito de seu sorriso
de creme dental de hortelã


O teu cheiro é meu vício
o teu corpo que me aquece
ao mesmo tempo entorpece 
de prazer...
Tua paz me enobrece
toda dor desaparece

sábado, 30 de outubro de 2010

O Dia Em Que Compramos Um Berço

Levanto cedo
durmo tarde
tenho pesadelos
sonhos bons pela metade

Pego meu terço
todas às seis da manhã
Enquanto anjos
entoam júbilos

Todo esse tempo em que estive ausente
Agonizei a tua falta
lentamente...
Cada um tem sua chance de enlouquecer
tive a minha
quis você

Eu não aceito 
só o teu apreço
quem sabe um dia...
compraremos um berço

Avesso

Eu só vim até aqui 
para te falar
sinto que as coisas mudaram de lugar
Nem tudo agora está
como você deixou antes
dentro de mim

Agora tô assim
sem ter pra onde ir
Confuso em um mundo
que eu mesmo planejei

Eu me dediquei
pra que nunca acontecesse
nenhuma má sorte
Sei que tu é forte
mas quem é que pode
suportar  toda dor de fim

Você que não merece
sentir o que é avesso
Sem reciprocidade
sem retorno a mais que apreço

Você bem reconhece
e vê que não sou mais o mesmo
Quem te fez sonhar
hoje te acorda
com um beijo de adeus

Tente dormir agora
e quando acordar
tente imaginar
que tudo não passou
de um sonho curto e bom
Que só acabou
antes de chegar ao final

A Ponte

Vamos com calma
que tudo vai se encaixar
na hora certa , em cada peça
Cada coisa no lugar
onde a gente imaginou que iria estar

Se quer o fim sem um começo
Como saberemos se não vai dar
sem tentar...

Então deixe o destino
te buscar aonde quer que esteja
fará a ponte...

Calma
não precisa ser assim
Passando por cima de tudo
não pode atravessar o muro

Se tem que lutar
é preciso cair de estar ferido
recomeçar
Porque toda a vitória
só obterá a glória de vencer
após o sofrer...

Então deixe o destino
te buscar aonde quer que esteja
fará a ponte...
por todos os caminhos
Até um horizonte
e tudo que se deseja
bem pra lá se esconde

Não deixe de acreditar
por maior que seja  a tua lucidez
ou quão tolo pareça
Deixe que o destino fará a ponte...

Deixe que o destino fará a ponte...


Felicidade

Foram tantas as marcas
que ficaram em mim
Se o tempo não apaga
toda dor de fim

As sombras do passado
escurecendo meu dia
Sob os olhos manchados
de águas sem fim

Rega o meu rosto
seco, infértil
fragmentado...

Deixe estar
eu vou ficar
sozinho com o mundo
Pra que a chance
de tentar recomeçar
se a felicidade dura um segundo

Rio e Mar

Tudo que eu queria ser
eu fui um pouquinho
Já provei do amargo
e do doce vinho

Fui de culpado a mocinho
em meio a paixões, ambições, fantasias...
Foi bom, foi ruim
teve só começo
e às vezes fim

Vou levando alguns espinhos
que ficam cravados no peito
De repente a sensação estranha
de não ter feito direito

E eu vou chegar
como quero chegar
Sem forjar o destino
como corre o rio
pra encontrar e abraçar
o mar...

Anjo

Quando ela passou
tudo mudou
flores por onde pisou

E quando ela me olhou
longe tocou
tudo em volta parou

Ela se foi
será que vai voltar?
Seja quando ou nunca for
eu vou sempre esperar

Quando ela se foi
me deu um oi
tipo até logo ou não mais

Mas vejo o teu andar
não canso de lembrar
não sai do meu pensamento

Onde andarás
não vejo mais o brilho do farol
A luz dos seus olhos
se perdeu nas ondas
não posso voltar

Um anjo...
será que foi real?
Só sei que eu nunca vi um rosto mais lindo
e ainda sinto um encanto no ar

Um anjo...
eu sei foi real

Então vou brincar
de te ter em meus sonhos
E quando a chuva parar
vou sentir perto de novo

Depois de pintar
um beijo em seu pescoço
A lua vai embora
e eu volto pra cama na hora
de acordar...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Último Bálsamo

Me diz que se passa
Conte todos os anseios
Teu sorriso não mais disfarça
Os seus olhos têm cheiro de medo

Não vou julgar o teu sentimento
Quero uma chance só pra te tocar
Deixar marcas sem ferimento
Flechar seu peito sem fazer sangrar

A saudade se torna alegre
Quando a ausência apenas breve
Como a flor no outono padece
Mas sabe que a primavera enfim renascerá

Ou se um orvalho de inverno chorar
e cada folha perecer devagar
Quando o seu bálsamo não mais incide
A saudade fica mais triste